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Aquecimento Global - Como Ocorre e no que podemos Ajudar. - Complemento das aulas RASC






Fonte: Instituto Greenpeace; Canal Claudiofsquimica:  http://www.youtube.com/user/claudiofsquimica; Canal Buraligmail: http://www.youtube.com/user/buraligmail; Canal Jonnygothic: http://www.youtube.com/user/jonnygothic e Canal Declipse135 : http://www.youtube.com/user/declipse135

Chuva Ácida - O que é e como Acontece - Complemento das Aulas RASC

A chuva ácida é resultante de um fenômeno que surgiu e cresceu junto à industrialização do mundo: a poluição do ar. Que veio se desenvolvendo com maior intensidade nos países desenvolvidos.
Trata-se do efeito químico da mistura dos poluentes com a agua da chuva, fazendo com que esta reduza seu Ph Natura se tornando ácida e muito prejudicial a saúde e ao meio ambiente.


Fontes: www.colegioweb.com.br - Canal Grupo iPED:  http://www.youtube.com/user/grupoiped
e Canal da Otraforma: http://www.youtube.com/user/otraforma
O Processo de Reciclagem do Lixo, Uma curiosa e criativa idéia que promove a sustentabilidade do planeta e mais saúde e vida a toda população!

Ilha das Flores - Documentário

Para quem não conhece, uma oportunidade de ensino... 
Para quem conhece, uma oportunidede de reaprendizagem
Um clássico da educação... O Famoso Documentário


"ILHA DAS FLORES"
NÃO DEIXE DE ASSISTIR!

Uma indicação do Amigo Colunista Douglas Souza


Coleta Seletiva de Lixo...

Entenda como funciona a coleta seletiva de lixo, suas qualidades, suas falhas e como esta deveria funcionar.

O Aterro Sanitário Funcional

Este é um Vídeo que demonstra como deveria funcionar os aterros sanitários, o destino correto do lixo que produzimos, de forma que este não prejudique a natureza... Muito interessante!


Veja aqui:
Ilustrações e Fotos Reais de Aterros Sanitários Funcionais!

BIORREMEDIAÇÃO - A ECOLOGIA E OS MICROORGANISMOS SE UNINDO POR UM MUNDO MELHOR

Esta é uma técnica que em resumo utiliza microorganismos como fungos e bactérias para através de suas ações biológicas, reintegrem nutrientes naturais de solos de plantações, agua, etc... melhorando as possibilidades de utilização destes. VEJA MAIS ABAIXO:






DEFINIÇÃO DE BIORREMEDIAÇÃO:

A biorremediação é a técnica que consiste na aplicação de processos biodegradáveis no tratamento de resíduos para recuperar e regenerar ambientes (principalmente água e solo) que sofreram impactos negativos, mantendo o equilíbrio biológico em ecossistemas. Também é chamada de biotecnologia ambiental, por usar, de forma controlada, processos microbiológicos que ocorrem normalmente na natureza para remover poluentes. Especificamente, a biorremediação atua através da introdução de processos biológicos adicionais para a decomposição dos resíduos que favorecem e incrementam a velocidade do processo natural de degradação. A grande maioria dos compostos orgânicos conhecidos, de origem animal ou vegetal, bem como muitos agentes químicos tóxicos, podem ser biodegradáveis através de técnicas de biorremediação.
             Os microrganismos, agentes da biorremediação, estão presentes em todos os lugares e em populações variáveis. Porém a interferência humana no meio ambiente, particularmente a acumulação de grandes quantidades de resíduos orgânicos e de elementos tóxicos, afeta o equilíbrio ecológico de duas formas:
                          1.    Pode destruir um ou mais elementos da cadeia alimentar, rompendo o equilíbrio entre os organismos. Conseqüentemente, fontes de nutrientes não serão mais recicladas, ocorrendo acumulação de resíduos potencialmente perigosos e proliferação de organismos patogênicos;
                          2.    O excesso de resíduos não só destrói o equilíbrio natural em um ecossistema como também leva à destruição de habitats naturais (por exemplo, poluição da água) e coloca em risco a saúde humana.
             É comum ocorrer em sistemas de tratamento de efluentes desequilíbrios no processo biológico que refletem em conseqüências negativas como: baixa eficiência do tratamento, exalação de odores desagradáveis, acúmulo de sólidos, depósito de gorduras, etc. Os fatores que levam a esse desequilíbrio podem ser devidos a sobrecargas, alterações bruscas de pH, concentrações excessivas de agentes de limpeza, detergentes, branqueadores, produtos químicos, pesticidas e fertilizantes sintéticos, causando reduções nas populações microbianas e queda da atividade biológica.
             Uma das técnicas mais utilizadas da biorremediação é a aplicação de microrganismos selecionados (bioaumentação), que acelerem o processo de degradação da matéria orgânica, para incrementar a população microbiana no sistema de tratamento, recuperando e/ou aumentando a eficiência do processo biológico.


(Fonte: http://www.uenf.br/uenf/centros/cct/qambiental/ef_biorremediacao.html )




BIORREMEDIAÇÃO MICROBIANA


Introdução

A revolução industrial trouxe um enorme aumento da poluição e da produção de resíduos. Na realidade, muitos dos problemas ambientais atuais são o resultado de mais de 200 anos de má gestão do lixo industrial, sendo os locais contaminados uma consequência frequente do manuseamento e eliminação inadequados de materiais perigosos.
A biorremediação é o processo de tratamento que utiliza a ocorrência natural de microrganismos para degradar substâncias toxicamente perigosas transformando-as em substâncias menos ou não tóxicas. É um mecanismo de estimulação de situações naturais de biodegradação para a limpeza de derramamentos de óleos e tratamento de ambientes terrestres e aquáticos contaminados com compostos xenobióticos (substância sintética que polui o meio ambiente). Maior segurança e menos perturbação do meio ambiente são os principais benefícios da biorremediação. Os dois maiores enfoques da biorremediação são a estimulação do crescimento microbiano no local contaminado e a adição de microrganismos degradadores de hidrocarbonetos adaptados ou de biosurfactantes.
Biorremediação é o bom uso de seres vivos ou seus componentes para restaurar ambientes poluídos. Geralmente são processos que empregam microorganismos ou suas enzimas para degradar compostos poluentes. Na biorremediação utiliza-ea microorganismos, fungos, plantas verdes ou suas enzimas para que o ambiente contaminado retorne a sua condição original. Pode ser empregada para atacar contaminantes específicos do solo, tais como a degradação de hidrocarbonetos clorados pelas bactérias. Um exemplo mais geral é a limpeza de derramamentos do óleo pela adição dos fertilizantes de nitrato ou de sulfato para facilitar a decomposição do óleo pelas bactérias locais ou exteriores.
O processo de biorremediação se da pelo fato de mocroorganismos, como as bactérias, utilizarem carbono orgânico como fonte de alimentação. Sendo assim, convertendo os contaminantes em CO2 e H2O. A Biorremediação e a Fitorremediação foram usados por séculos. Por exemplo, a desalinação do solo de agricultura pela fitoextração tem uma tradição longa. É uma metodologia atrativa e confiável para o tratamento de solos e cursos d´água contaminados, considerando-se muito eficiente, além de econômica, versátil e principalmente por causar uma menor perturbação ao ambiente, já que é um sistema de estimulação de processos naturais de remediação. Enfim é uma estratégia ou processo que emprega microrganismos ou suas enzimas para destoxificar contaminantes no solo ou outros ambientes. Esta consiste basicamente na transformação do contaminante a formas que não oferecem riscos de contaminação. Portanto, é fundamentada nos processos de degradação microbiana e reações químicas combinadas com processos de engenharia, criando condições para maximizar as transformações dos contaminantes orgânicos do solo. De acordo com a Agência de Proteção Ambiental. As principais categorias de contaminantes do solo são em ordem decrescente: os cloroalifáticos, pesticidas, hidrocarbonetos aromáticos, cloroaromáticos, aromáticos simples e outros.
Estes originam-se da industrialização do petróleo bruto, industrias químicas diversas e atividades agrícolas, sendo muitos destes produtos de difícil decomposição e, por isto, causam sérios impactos ambientais. Alguns representantes mais importantes no âmbito da biorremediação são:
a) Os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs), que são orgânicos voláteis com várias ligações tipo benzeno condensadas, representam mais de 100 diferentes compostos­ como antraceno e benzopireno. Os PAHs são em sua maioria lipofílicos e adsorvendo ­fortemente a superfícies hidrofóbicas. O interesse na biorremediação destes compostos é crescente devido aos efeitos mutagênicos e carcinogênicos dos mesmos.
b) Os hidrocarbonetos halogenados, especialmente os clorados, são os xenobióticos de grande persistência no solo devido à sua baixa degradabilidade que é resultante da baixa solubilidade, tamanho molecular, toxicidade e elevada energia química de ligação. Os contaminantes ­mais estudados são: O PCP (Pentaclorofenol), TCE (Tricloroetileno) e os PCB's (bifenis policlorados).
c) Os derivados nitrogenados do nitrotolueno empregados na confecção de materiais explosivos como o TNT (2,4,6- trinitrotolueno).
            Do ponto de vista prático, a biorremediação é fundamentada em três aspectos principais: a) Existência de microrganismos com capacidade catabólica para degradar o contaminante; b) O contaminante deve estar disponível ou acessível ao ataque microbiano ou enzimático; c) Condições ambientais adequadas para o crescimento e atividade do agente biorremediador.
             Microrganismos com as mais diversas capacidades metabólicas são empregados na biorremediação. Alguns destes são pertencentes a gêneros de bactérias e fungos como: Azospirillum, Pseuc­Alcaligenes, Enterobacter, Proteus, Klebsiella, Serra tia. Bacillus, Arthrobacter, Nocardia, Fusarium, Chaetomium, Phanerochaete e Trametes. A ação metabólica da degradação dependerá do microrganismo envolvido e do ambiente. A tecnologia da biorremediação tem como objetivo inocular o solo com microrganismos com capacidade de metabolizar resíduos tóxicos, proporcionando maior segurança e menos perturbações ao meio ambiente.

Técnicas de Biorremediação

Apesar de fundamentadas em um único processo básico (biodegradação), as técnicas de biorremediação envolvem variações de tratamentos” in situ" (no local) e "ex situ" (fora do local) que pode envolver inúmeros procedimentos. A maioria dessas estratégias se aplica aos tratamentos de superfície, enquanto algumas são específicas para a biorremediação em sub-superfície como é o caso da bioventilação, que consiste na injeção de ar no solo (ou camada) contaminado para estimular a degradação do contaminante.
Vários contaminantes podem ser tratados biologicamente com sucesso. Estes incluem petróleo bruto, hidrocarbonetos do petróleo como gasolina (que contém benzeno, xileno, tolueno e etilbenzeno) óleo ­diesel, combustível de avião, preservativos de madeira, solventes diversos, lodo de esgoto urbano industrial, e outros compostos xenobióticos ou biogênicos, existindo mais de 300 compostos individuais.

Tipos e Estratégias para Biorremediação do Solo

a) Passiva- consiste na degradação intrínseca ou natural pelos micorganismos indígenas do solo.
b) Bioestimuladora- consiste na adição de nutrientes, como N e P, para estimular os microrganismos indígenas.
c) Biventilação- é uma forma de bioestimulação por meio da adição de gases estimulantes, como O2 e CH4,  para aumentar a atividade microbiana decompositora.
d) Bioaumentação- é a inoculação do local contaminado com microrganismos selecionados para degração do contaminante.
e) Landfarming- é aplicação e incorporação de contaminantes ou rejeitos contaminados na superfície de solo não contaminado para degração.  O solo é arado e gradeado para promover a mistura uniforme do contaminante e aeração.
f) Compostagem- é o uso de microrganismos termofílicos aeróbios em pilhas construídas para degradar o contaminante.

Principais Dificuldades para o Sucesso dos Tratamentos Biológicos de Solos Contaminados.

a) Heterogeneidade do rejeito- os rejeitos são distribuídos de modo heterogêneo no solo e o contaminante pode ocorrer em formas não acessivas.
b) Concentração do contaminante- contaminantes podem estar presentes em concentações variadas (de muito baixa a muito alta). Se muito alta, pode ser tóxica e inibir o crescimento.
c) Persistência e toxidade- tratamentos biológicos são eficientes para remover matérias biodegradáveis e de baixa toxidade.
c) Contaminantes resistentes à biodegradação exigem adequadação nutricional do solo.  (com fonte de C) e consórcio microbiano.
d) Condições adequadas para o crescimento microbiano-  atividade microbiana suficiente para promover adequada degração exige condições ambientais favoráveis passíveis de destoxicaçõa por biorremediação, como por exemplo umidade, temperatura e aeração do solo.


 Aspectos Biológicos das Técnicas mais Comumente Empregadas


Landfarming

Consiste na aplicação do contaminante em forma líquida ou sólida na camada arável do solo, onde se concentram 90% dos microrganismos que usam os contaminantes como fonte de energia e que pode ­transformá-Ios geralmente, mas não exclusivamente por co-metabolismo. A matriz (rejeito) com C é misturada ao solo por aração e gradagem e as condições físico-químicas do solo (água, aeração e nutrientes) ajustadas para maximizar a atividade heterotrófica. Cria-se assim a camada reativa zona de tratamento fazendo com que esta camada de solo atue como bioreator natural (Figura 1 a seguir).
Essa camada pode atingir 50 cm, dependendo da profundidade de incorporação dos resíduos. Abaixo des­ta zona situa-se uma camada de solo ainda não saturada, acima do lençol freático. Uma variação do "Iandfarming" convencional inclui a presença de plantas, cujo ambiente rizosférico aumenta a atividade. ­dos heterotróficos e a biodegradação do contaminante. A pulverização do solo pela aração e gradagem ­facilita o espalhamento do solo com contaminante pelo vento. Para que isso seja evitado, o solo deve ser mantido úmido.












(ZONA SATURADA (LENÇOL FREÁTICO)
Figura 1. Seção transversal esquemática de uma célula da unidade de tratamento no solo empregado pelo landifarming


O "Iandfarming" é empregado com elevada eficiência no tratamento de rejeitos industriais, especialmente na indústria petroquímica (Bewley, 1996). Concentrações de petróleo de até 7% (70.00" ­kg-1) são reduzidas para 100-200 mg kg-1 em poucos meses, desde que as condições físicas (umidade e aeração), químicas  (presença de aceptores de elétrons) e biológicas (elevada atividade heterotrófica) sejam adequadas. Para a degradação de 100 unidades de C são necessárias, em média, 2 unidades ­N para as bactérias, 3 0.4 parara fungos e 3 a 6 para os actinomicetos.
Assim para se obter sucesso com esse processo, além da boa aeração para o O2 não seja limitante, garantindo assim o fluxo de elétrons da bioxidação, a disponibilidade de N P e outros nutrientes no solo é essencial, assim como é importante a relação C/N do material a ser tratado. Para lodos de refinarias de petróleo, a biodegração é favorecida, quando a relação C/N é de 9:1. Por isso, o tipo de solo e seu teor de matéria orgânica, ­como a aplicação de N, são fatores que precisam ser controlados.
A matéria orgânica do solo é importante para a população microbiana com metabolizante, que também atua na biodegradção de certos componentes do petróleo e de outros resíduos. Muitos apresentam ­baixa degradabilidade e neste caso, o tratamento do rejeito com surfactante ou agentes pré-oxidantes, reduz a recalcitrância e acelera a degradação destes pelos microrganism. Em condições ótimas de nutrientres (e.g. relação C: N: P 70: 5:1) a biodegradação de petróleo bruto ou lodo de refinaria atinge de 6 a 8 menos de um ano. A composição química do resíduo também determina a velocidade de sua decomposição.
A fração de compostos saturados do petróleo degrada-se mais facilmente do que a insaturada, exercendo grande influência na tratabilidade dos resíduos de refinarias. No Brasil, as condições ­climáticas são muito favoráveis ao uso desse processo. Na refinaria da Petrobrás em Curitiba (PR) em solo com biota adaptada para biodegradação destes rejeitos, é possível tratar de 0,5 a 1,0 m3 de é 0:­m2 de solo por ano ao custo de R$ 9,00 a 12,60 por m3 e, no caso de lodo de destilaria, é possivel de 400 0.800 Mg ha-1 (CARVALHO, 1998).
Um outro exemplo interessante ocorreu no tratamento de solo contaminado com atrazina na fábrica Ciba-Geigy Corp no estado de Louisiana - EUA. O solo, além de arado e gradeado, recebeu 880 kg de fertilizante 13-13-13 (NPK) e aplicação de culturas de Pseudomonas degradadoras de atrazina. Após 20 semanas a concentração do contaminante reduziu de 100 mg kg-1 para apenas 10 mg kg-1, uma redução de 90% da concentração original.
Para uma área de 1,9 ha de solo contaminado a empresa gastou US$ 1,05 milhão, enquanto para outro procedimento, como escavação e disposição apropriada do solo contaminado, seriam gastos US$ 5,3 milhões. Com a biorremediação US$ 4,25 milhões foram economizados pela empresa. Portanto, o "Iandfarming" representou uma economia de 2,3 milhões de dólares no tratamento de 1 ha de solo poluído, neste caso.
Apesar de ser um processo simples, para a implantação do "Iandfarming", devem-se observar critérios técnicos para a seleção de locais apropriados, pois há formação de gases e materiais lixiviáveis que oferecem riscos ao meio ambiente. A topografia do solo, a localização em relação aos cursos de água, o tipo e a profundidade do solo, são alguns aspectos importantes na definição da área destinada a esse processo. Os órgãos reguladores e de gestão ambiental possuem as instruções normativas para a implementação do processo.

Biorremediação Fase Sólida

É baseada nos mesmos princípios do método anterior, porém constitui-se de pilhas de solo, que funcionam como células de tratamento. Nas células realiza-se controle mais rigoroso da volatilização. lixiviação e escoamento superficial de material contaminado, o que não ocorre no "Iandfarming", sendo, portanto, mais seguro e apropriado para tratamento de solos contendo compostos que oferecem elevad risco ambiental. Na biorremediação fase sólida pode-se também optar pela compostagem que consiste em um tratamento controlado pela geração de calor pelos aeróbios termofílicos. A elevação da temperatura na massa contaminada é ideal para tratamento de rejeitos e lodos diversos, incluindo contaminantes explosivos. É um processo barato e fácil de ser monitorado.

Tratamentos" in situ"

Os tratamentos" in situ" são baseados na manipulação da fase aquosa e estímulo da decomposição pela injeção de ar (bioventilação) e suplementação com nutrientes em galerias e poços de infiltração. É comum o uso de plantas nesse tipo de tratamento, as quais fornecem substratos à atividade microbiana enquanto os microrganismos transformam os contaminantes. Além da biodegradação, os microrganismos atuam direta ou indiretamente na biosorção, reduzindo a ação dos contaminantes no meio ambiente.

Bioaumentação

A biorremediação envolve ainda a inoculação do solo com culturas puras ou consórcio microbiano contendo microrganismos selecionados para degradações de contaminantes específicos. Esses processos são conhecidos por bioaumentação que tem sido bastante estudada para vários herbicidas, hidrocarbonetos clorados e carbonatos através do emprego de populações indígenas aclimatadas, isolados selecionados e até mesmo microrganismos transgênicos contendo plasmídeos degradadores (Struthers et aI., 1998; Bewey, 1996).
 Para isso, recorre-se a populações aclimatadas através de mutação direta ou transformação genética, para degradação acelerada de determinado composto (Felsot & Shelton, 1993). Isolados indí­genas, bem como microrganismos modificados geneticamente, contendo plasmídeos catabólicos, têm sido empregados na produção de inoculantes comerciais para biorremediação. Várias bactérias e fungos. compreendendo dezenas de formulações comerciais, são vendidos nos EUA a preços que variam de USS 3,6 a US$ 18,0 kg-1 (Glass, 1992).
Entretanto, existem poucas evidências definitivas de sucesso dessa técnica, exceto em algumas situações específicas, como se verifica com o Agrobacterium radiobacter J14 que possui elevada capacidade de degradar a atrazina e o fungo Phanerochaete chrysosporum, o qua: degrada mais que 60 xenobióticos, incluindo 12 aromáticos policíclicos, 12 aromáticos clorados, 9 policíclicos aromáticos, 3 alquil-clorados, 6 biopolímeros e 16 corantes diversos (Bumpus, 1993). P. chrysosporum é capaz de degradar entre 15 a 98% de vários xenobióticos em menos de 60 dias. Em geral, a bioau­mentação é mais apropriada para tratamentos de contaminantes muito recalcitrantes, em contaminações recentes e onde se pretende aplicar a degradação acelerada. Uma estratégia que vem ganhando espaço na biorremediação é o uso de plantas para acelerar o processo de degradação. As plantas, além de atuarem diretamente sobre vários tipos de contaminantes, contribuem indiretamente através do efeito rizosférico sobre a microbiota biodegradadora.
O tratamento de um solo contaminado com hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP's) em concentração de 185 mg kg-1 de HAPs total e 50 mg kg-1 de HAP's carcino­gênicos, sofreu redução de 26% após 180 dias de tratamento sem planta e de 57% quando o solo foi semeado com Panicum virgatum (switchgrass). Na fração carcinogênica houve redução apenas nas parcelas com planta, sendo esta redução da ordem de 30%. Várias outras plantas e contaminantes têm sido estudadas na biorremediação, evidenciando a importância dos processos microbianos influenciados por estas.
A biorremediação microbiana tem concepção muito antiga, mas só recentemente evoluiu de estudos pilotos para aplicação em larga escala. No momento, representa a principal tecnologia de remediação de solo por ser:
a) De baixo custo (US$ 13 a 1.500 por tonelada de solo tratado) em relação a outras técnicas;
b) Ser uma solução permanente;
c) Fundamentada em processos naturais;
d) Aplicável a uma grande variedade de contaminantes;
e) De grande aceitação pública.
            No Brasil a biorremediação é ainda muito pouco praticada, exceto "Iandfarming", que é praticado com sucesso, principalmente na indústria petroquímica brasileira. A biorremediação é um método confiável e atrativo para o tratamento de solos e cursos d´água contaminados com hidrocarbonetos, sendo considerada eficiente, econômica e versátil; por outro lado, a biorremediação no local, é muitas vezes limitada por dificuldades no transporte de nutrientes ou receptores de elétrons e no controle das condições para aclimatação e degradação dos contaminantes nos sistemas subsuperficiais (JAIN et al., 1992; CORSEUIL et al., 1994; CORSEUIL et al., 1996).



Fitorremediação

            Neste processo emprega-se plantas para descontaminar sítios com resíduos químicos orgânicos em sua porção superficial. Áreas contendo plantas apresentam uma biodegradabilidade mais acelerada e completa se comparada com áreas não plantadas devido:
a) Expansão da população ativa dos microrganismos no solo (rizosfera) que se utilizam da fração “exudata” das raízes como fonte de alimento.
b) O exudato das raízes também estimula transformações cometabólicas, assim sendo, muitos contaminates são degradados via estimulação da microbiota pela presença do exudato.
c) Algumas plantas produzem enzimas que transformam metabolicamente os contaminantes orgânicos contribuindo desta forma para sua oxidação mais rápida pelos microrganismos presentes no solo.
A tecnologia de biorremediação tornou-se um importante método de restauração de ambientes contaminados por resíduos de petróleo, pois utilizam à capacidade dos microrganismos em biodegradar ou biotransformar as mais diversas substâncias. A biodegradação ou biotransformação de compostos orgânicos contaminantes é uma das principais medidas de recuperação de ecossistemas contaminados e requer a interação de muitos grupos de organismos vivos diferentes que trabalhem juntos ou seqüencialmente na degradação dos compostos (KATAOKA, 2001). Os mais eficientes biodegradadores são os microrganismos, devido à abundância, grande diversidade de espécies, versatilidade catabólica e anabólica, bem como a capacidade de adaptação às condições adversas do meio (TEIXEIRA & LIMA, 1991 apud KATAOKA, 2001).
Microrganismos que degradam hidrocarbonetos estão amplamente distribuídos no solo e em ambientes aquáticos. Populações desses microrganismos normalmente constituem menos que 1% da comunidade microbiana total, mas quando hidrocarbonetos estão presentes, essas populações aumentam em 10% da comunidade (ATLAS, 1995). A biorremediação teve um papel muito importante na limpeza do derramamento de 41 milhões de litros de petróleo causado pelo navio Exxon Valdez, no Golfo do Alasca, em 1989, dando início ao desenvolvimento dessa técnica; e há boas razões para se acreditar que este método terá um papel importante no tratamento de futuros derramamentos de óleo em circunstâncias apropriadas (PRINCE, 1993; SEABRA et al.; 1999).
            O mercado de tecnologias ambientais disponível hoje é bastante amplo, sendo que uma atenção maior tem sido dispensada aos tratamentos e remediações de solos e águas subterrâneas. Este fato pode ser entendido por razão da geração de resíduos sólidos estar sendo cada vez maior e também pela existência de políticas ambientais cada vez mais restritivas nos últimos anos.
            Com isso, os pesquisadores da área se vêem obrigados a desenvolver técnicas menos dispendiosas e tão eficientes quanto tecnologias consolidadas como a incineração. Tanto na biorremediação “In situ” como na “ex situ”, a contribuição externade microrganismos deve ser avaliada de acordo com o tipo de solo, do equipamento a ser empregado, e principalmente os tipos de contaminantes orgânicos presentes, assim sendo vários estudos de laboratório e campo mostram que para se obter bons resultados faz-se necessária a aplicação de duas ou mais tecnologias em associação.
            A determinação desta ou daquela tecnologia a ser aplicada ao sítio dependerá das características dos contaminantes e principalmente do local onde ocorreu a contaminação. Estas respostas podem ser obtidas mediante testes em escala piloto e principalmente no estudo detalhado das várias características envolvidas no processo.


Literatura Consultada

BERGMANN, H.; ENGELHARDT, G.; MARTIN, D.; MENGS, H.J.; ono, D.; RITCHER, R.; SCHOKNECHT,  WALLNOFER, P.R. Degragation of pesticides, dessiccation and defoliation, Ach-receptors a­targets. Chemistry of plant protection. 2.ed. Berlin: Heidelberg, 1989. 115p.
EDWARDS, CA Impact of herbicides on soil ecosystems. Critical Reviews in Plant Science, v.8, n.: p.221-257, 1989.
DOMSCH, K.H.; JAGNOW, G.; ANDERSON, lH. An ecological concept for the assessment of side-effects­agrüchemicals on soil micrüorganisms. Residue Reviews, New York, v. 86, p.65- 105, 1983.
GREAVES, M.P.; DAVIES, H.A.; MARSH, J.A.P.; WINGFIELD, G.I. Herbieides and soil mierürganisms. Criti Reviews in Microbiology, 1976.
MELO, I.S.; AZEVEDO, J.L. (Ed.). Microbiologia ambienta!. Jaguariúna: Embrapa-CNPMA, 1997. 44 p.
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SYLVIA, D.M.; FUHRMANN, J.J.; HARTEL, P.G.; ZUBERER, DA (Ed.). Principies and Applications of­Microbiology. New Jersey: Simon & Sehuster, 1998. 550p.
VAN-ELSAS, J.O:, TREVORS, J.1:, WELLlNGTON, E.MH. (Ed.\. Modem soll mlcroblololJlj. New Mareei Dekker, 1997. 683p.

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Ecologia e Literatura - Educação Ambiental - Artigo

Não deixe de ler este texto interessantíssimo que extraí de:

LITERATURA E ECOLOGIA
A literatura é uma ponte para a ecologia e o entendimento sobre o que significa sersustentável. Saiba mais sobre como envolver crianças e adolescentes na vivência ambientalpor intermédio da literatura a partir da entrevista com Beth Serra, Secretária Geral da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, e Maria Betânia Ferreira, Coordenadora Pedagógica do Concurso de Redação Ler é Preciso.


1) Fala-se em educação ambiental, ecopedagogia e educação sustentável. Estamos usando expressões diferentes para o mesmo significado? O que elas têm em comum?

Beth Serra: O ponto de encontro de todas essas expressões é, sempre, a educação. Aqui há um papel fundamental a ser desempenhado pelos educadores: reinventar processos e formas para transferir conhecimento e despertar comportamentos positivos nas crianças e nos adolescentes. A questão da preocupação ambiental vem de muito tempo: o Imperador D. Pedro II, por exemplo, ordenou a restauração da mata da Tijuca, no Rio de Janeiro, porque isso era vital para a manutenção dos mananciais e para o fornecimento de água para a cidade. A educação ainda é algo a que apenas privilegiados têm acesso, pela formação de seus pais, pela vivência de seus professores. Temos de investir em livros informativos e em bibliotecas para dar oportunidade à grande maioria que não tem acesso a esse tipo de educação.
Maria Betânia: Não se trata de um mesmo significado, embora elas tenham muita coisa em comum. Exagerando um pouco na comparação:
Para ver com mais clareza, vale a pena mergulhar em cada uma dessas três expressões, relembrar de onde elas surgiram e, assim, ver por si mesmo o que as liga e o que as individualiza. E eu acrescentaria ainda uma quarta palavra à série: ecoformação.

Vamos começar pela educação ambiental, que as sociedades humanas primitivas já praticavam (sem dar esse nome) quando preparavam e orientavam as pessoas para viver em relação harmoniosa e estreita com o meio ambiente. Vitor Hugo, para puxar a brasa para a sardinha da literatura, definiu o futuro como "um edifício misterioso que levantamos na Terra com as próprias mãos e que mais tarde deverá servir-nos a todos de moradia".
Mas o termo educação ambiental só começou a ser amplamente usado nos anos 70, quando a humanidade começou a se preocupar com os estragos que havia feito ao planeta ao longo de sua história (principalmente a partir da metade do século XX, quando a deterioração se acelerou) e percebeu que ia precisar fazer alguma coisa para mudar a mentalidade das novas gerações para não acabar dando fim a si mesma.
Em 1972, na Suécia, surgiu um primeiro documento falando da necessidade de informar a opinião pública sobre os problemas ambientais, para que as pessoas e empresas mudassem sua conduta no sentido de proteger e melhorar o meio-ambiente. Talvez naquela época a gente (nós, humanidade) ainda não se desse conta de que era o nosso modelo, o nosso estilo de correr atrás do lucro e do que chamávamos “desenvolvimento”, que precisava mudar para interromper a maratona destrutiva.
Três anos depois, num encontro que aconteceu na antiga Iugoslávia, a educação pulou para o centro da discussão, quando os estudiosos começaram a se dar conta de que sem ela não seria possível mudar a maneira de as pessoas agirem. Começou-se a falar do meio ambiente como um TODO (a natureza & o que o homem produz) e da necessidade de dar um jeito não só nas relações do homem com a natureza, mas também dos homens uns com os outros.
Foi nessa ocasião também que começamos a perceber que nossa idéia de desenvolvimento precisava de ajustes e correções. A educação ambiental seria, então, a ferramenta para que as pessoas (todas, e não só os estudantes – e aí entra o papel dos meios de comunicação) tomassem consciência do meio-ambiente e se interessassem por protegê-lo e resolver os problemas existentes, que já eram grandes e numerosos.
Em 1977, depois de mais um encontro de estudiosos na Rússia, a educação ambientalpassou a fazer parte dos sistemas de educação; a essa altura dos acontecimentos, percebemos que não bastava sensibilizar: era preciso mudar atitudes, ampliar o conhecimento que as pessoas tinham sobre o que estava acontecendo no planeta, fazer com que as pessoas se reunissem e agissem comunitariamente na busca de soluções ambientais. Era, então, uma educação para agir em favor do meio ambiente.
Dez anos depois, estávamos nos aproximando da última década do século XX e um novo encontro em Moscou deu origem a um documento em que se falava da pobreza e do aumento da população como causas dos problemas ambientais...
Foi preciso chegar a 1992, e ao Rio de Janeiro, para que surgisse uma visão crítica de verdade em relação aos problemas ambientais. Foi aí que nasceu a Agenda 21 (as tarefas que a humanidade precisava realizar até o século XXI). Um capítulo dessa Agenda foi dedicado à educação. Três coisas precisavam acontecer: reorientar a educação no sentido do desenvolvimento sustentável, aumentar a consciência das pessoas e torná-las mais capazes para lidar com o ambiente (natural e humano). Nasceu também um Tratado de Educação Ambiental Para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global.  Nesse documento a crise ambiental é vista como um todo, e, pela primeira vez, a destruição de valores humanos, a alienação e a falta de participação como cidadão aparecem como ingredientes dacrise ambiental. E o documento diz com todas as letras que educação ambiental é um ato político para transformar a sociedade, envolve aprendizagem permanente baseada no respeito a todas as formas de vida, deve basear-se em pensamento crítico e precisa ser vista numa perspectiva holística, isto é, o "todo" não é uma soma de partes, e sim um conjunto de sistemas que interagem e se influenciam o tempo todo.
A partir daí, a idéia de educação ambiental passou a abarcar coisas como qualidade de vida, cuidado e autodesenvolvimento. Uma educação ambiental pura e simples, antes, seria aquela que fornece os conhecimentos para entender os problemas ambientais, dá oportunidades para desenvolver habilidades e capacidades para lidar com os problemas ambientais e  ensinar outras pessoas a fazerem o mesmo.
E aí chegamos à idéia de educação sustentável, que muita gente acha que é um nome melhor para educação ambiental. Há quem ache que educação ambiental é a parte da educação que fala de meio-ambiente e natureza, e não tem nada a ver com outras matérias... O que não é verdade. Com o passar do tempo, a educação ambiental evoluiu, foi agregando outras áreas, outros valores, outros princípios, e hoje se fala em educação para a sustentabilidade. Oueducação sustentável. O que é isso?
É educação que vai além de ensinar como funcionam os ambientes naturais e como os humanos podem lidar com eles causando o mínimo possível de estrago: ela também leva as pessoas a se perguntarem se o que elas fazem no dia-a-dia faz sentido, se contribui ou não para acabar com recursos que vão fazer falta no futuro, se fazer as coisas desse jeito melhora ou não a qualidade de vida e a felicidade no planeta Terra.
A “sala de aula” da educação sustentável não tem paredes: é o planeta Terra, e, quando formos além dele, será também lá. Num trabalho de educação sustentável (na família, na escola, em toda parte), tudo o que acontece vai no sentido de formar gente que vê a Terra não como uma coisa a ser dominada, consumida, mas como um grande ser vivo; gente sensível aos outros seres, humanos ou não; gente cuidadosa, gentil, terna, pronta para se encantar, capaz de consumir menos; gente com ética, capaz de agir como um ser inteiro, e não apenas de cumprir papéis que dependem de onde ela está e do que os outros estão fazendo ou deixando de fazer.    
Uma teoria da educação deve servir de base e de eixo para a prática de uma educação sustentável, e a teoria ideal para isso é a Ecopedagogia. É uma teoria da educação, ou seja, um conjunto de princípios fundamentais que dão um determinado sentido ao processo de educar. No caso daEcopedagogia, a idéia é desenvolver um novo jeito de olhar o mundo e de estar nele, a partir da vida cotidiana. “Pensar a prática”, como dizia Paulo Freire, que é o grande inspirador daEcopedagogia. Não “passar batido” pelas coisas, e sim interagir com o que acontece, por inteiro. A educação sustentável pode acontecer, pode se realizar, e, para isso, aEcopedagogia tem propostas e idéias sobre os meios. Uma delas, por exemplo, é a ecoformação.
Quando uma pessoa experimenta as coisas no dia-a-dia, ela tanto pode passar por essas experiências sem prestar atenção, de um jeito mecânico, como pode passar consciente do que se acontece e do que isso provoca e desperta em seus sentimentos, em sua vida. Nesse momento, essas experiências se tornam formadoras e servem para ampliar o ponto de vista. E eu não estou falando de "grandes" experiências, e sim de coisas simples como sentir a brisa, ler um livro, estar diante de uma obra de arte, olhar o movimento do mar, ouvir alguém ler uma história e conversar. O ar fresco, o livro, a obra de arte, tudo, absolutamente tudo, nos atravessa o corpo, a alma, o coração, o espírito... Vivemos mergulhados numa rede de interações com tudo o que existe fora de nós e com nosso próprio interior. Essa rede liga a pessoa ao mundo, que é a casa dela, e o mundo à pessoa. O ambiente está na pessoa como a pessoa está no ambiente. Quem nunca passou pela experiência de reavivar lembranças antigas por causa de um cheiro, ou de uma palavra? Quem nunca se emocionou sem entender exatamente por que, ao ouvir uma canção ou um poema?  É aí que entra a ecoformação, que é um componente essencial da Ecopedagogia. Somos formados pelos nossos encontros com tudo o que existe no mundo. E a ecoformação na educação é que abre a porta para a imaginação, a intuição, o mundo afetivo – tão indispensáveis quanto a observação atenta e a explicação objetiva (que organizam e dão sentido ao que aprendemos, mas não são suficientes). Sem a ecoformação, a gente fica no “vi”, “observei”, “registrei a informação”. A gente até é capaz de explicar e até pode dizer que "sabe", mas falta alguma coisa que faça a gente se sentir dentro do que conheceu, ligado ao que observou e sabe explicar. Ora, será que se pode esperar “preocupação ecológica” de verdade sem passar pelo sentimento de pertencer ao mundo?
Num estudo do meio sobre o ambiente marinho, uma professora trabalhou de modo diferente com duas turmas de crianças de 10 e 11 anos.  
· No dia da chegada, ela pediu aos alunos das duas turmas que escrevessem um texto sobre o mar. Em geral, os textos produzidos falavam do mar como um objeto geográfico (grande massa de água), um objeto biológico (habitat de tais e tais seres) ou um recurso à nossa disposição (grande reserva de alimentos, atividades de lazer).
· Na turma A, durante 18 dias, as atividades foram as “tradicionais”, tudo aquilo que se deve fazer para estudar um ambiente de maneira totalmente racionalobjetiva: observações ao ar livre, reflexão, busca de informações, pesquisa, coleta de documentos, análise e, por fim, síntese do que foi aprendido.
· Na turma B, durante 21 dias, foi feito o mesmo trabalho da turma A, porém  incluindo algumas situações em que  propunha aos alunos que estabelecessem situações físicas em determinados espaços, em diferentes momentos, como forma de “recreação”:  praias, penhascos, pântanos  / de manhã cedinho, com sol forte, na neblina.... Em algumas ocasiões, a professora enriqueceu as atividades com meios de expressão: pintura, escultura na areia, poesia…
· No último dia do estudo do meio, ela pediu novamente que escrevessem sobre o mar. Os resultados foram bem diferentes:
¤ as crianças da turma A, embora tivessem realizado muitas atividades de descoberta, continuavam se referindo ao mar como um elemento do ambiente, separado delas, com tais e tais características e utilidades;
¤ Na turma B, 75% das crianças foram além das descrições físicas e expressaram emoções, imagens e sentimentos. O mar, para elas, tinha se tornado um fenômeno de contemplação, um meio experimentado por um ser que percebe e reage. Os textos usavam recursos de imaginação,  e em vez de escrever “fotografando” eles conseguiram escrever coisas como esta: “É noite. O mar está calmo e doce, e brilha diante de mim. Que vontade de ter também essa beleza! De repente, um ventinho leve, e depois mais forte. Eu ainda estou sentado aqui diante do mar, o nosso precioso, belo mar...”
É isso, e não é difícil de entender: o enfoque racional não basta; suprimir a imaginação bloqueia o desenvolvimento justamente daquela parte em nós que estabelece relações com um mundo – natural, social, cultural – que precisa tanto da gentileza e do interesse dos indivíduos e comunidades para ser sustentável


2) Onde e quando começa o aprendizado para a cultura da sustentabildade?

BS: De modo franco e direto, desde sempre – em casa, na escola, no trabalho. Se considerarmos que o sistema público de educação é a maior rede de desdobramento em todo o País, fica evidente que tem um papel decisivo nessa questão. Lares estruturados, em que esse tipo de responsabilidade é passado de forma natural, e empresas conscientes e “educadoras” contribuem para a disseminação da cultura da sustentabildade.

MB: Começa em casa, ou melhor, começa já na maternidade, se o nascimento ocorrer lá.


3) Como superar os desafios da educação no Brasil, incluindo o analfabetismo funcional, e, ao mesmo tempo, priorizar o ensino de uma cultura para a sustentabildade dentro das salas de aula?

BS: Talvez o maior desafio seja o de se contemplar o todo, e não somente a sustentabilidade;é poder oferecer a todas as crianças referências culturais por professores que tenham formação em música, em arte. O analfabetismo funcional resulta da falta de condições para que o exercício da leitura continue; há poucas bibliotecas, há pouco ou nenhum estímulo para entender um texto e dele tirar conclusões.
MB: Podemos esquecer as fronteiras: o processo é um só, e a superação do problema do analfabetismo funcional vem junto com a superação da visão que confunde educação comtransmissão de informações e conhecimentos. Não é um problema brasileiro, é mundial. Planetário – como todos, rigorosamente todos os problemas que a humanidade enfrenta. Hoje sabemos que existe e é sério porque hoje temos uma quantidade de gente nas escolas que praticamente atinge a universalidade, pela primeira vez na história humana. Ainda não sabemos como educar tanta gente ao mesmo tempo nas estruturas escolares, que continuam parecidas com o que eram quando só estudavam minorias. Mas vamos chegar lá. Precisamos E está na hora de levar em conta os dados dos países em que o problema do analfabetismo funcional é menos grave, ou seja, dos países em que se lê melhor: são justamente os países em que as pessoas têm mais experiências de letramento – digamos, ecoformação ligada a livros e leitura; onde mais existe leitura em voz alta; e onde mais os estudantes são convidados a se expressarem por escrito. Melhorar a alfabetização melhora a leitura do mundo, melhorar a leitura do mundo melhora a compreensão do que se lê e também melhora o que se escreve; e isso tudo promove maior envolvimento da pessoa com o mundo.


4) Que sugestões você daria para o educador que se vê no dilema de precisar encantar e vivenciar educação ambiental com seus alunos dentro de uma realidade que, na prática, contradiz os princípios da sustentabildade?

BS: Esse tipo de contradição faz parte da vida de qualquer educador. Isso acontece a todo momento, não só com relação à sustentabilidade; vale também quando se fala sobre paz(diante de tantas guerras e atrocidades), justiça (frente a um sem-número de arbitrariedades),saúde (postos lotados ou sem infra-estrutura, por exemplo).
Com certeza, a solução para esse dilema está em ler, buscar a saída através da leitura e da pesquisa. Como diz John Wood, ex-vice-presidente da Microsoft, que abandonou sua brilhante carreira de executivo para construir bibliotecas pelo mundo.
 
MB: Não vejo isso como um dilema: é o mundo, é esse o espaço da educação, com todas as contradições e toda a bagunça que a gente sabe que existem. Tudo é uma questão de “educar o olhar”, como diz o Moacir Gadotti. A humanidade nunca viveu num paraíso, aqui na Terra. Nunca ela esteve tão perto da autodestruição, mas também sabemos que nunca tanta gente esteve tão diretamente envolvida com isso, querendo resolver. Por um lado, aí está (e nela estamos) uma realidade não-sustentável que resulta, em grande parte, de um processo de globalização econômica. Por outro lado, aí está (e nela estamos) uma realidade capaz de encantar, sustentável e de enorme potencial criador e transformador, que é a da globalização da sociedade civil. Na verdade, o que eu sugiro é que os educadores (famílias, escolas, todo mundo) recuperem o otimismo, na certeza de que nunca fomos tantos a querer e a agir num mesmo sentido. Os adultos envolvidos em educação são mediadores de conhecimentos, e não transmissores. Devem se conservar curiosos, atentos, prontos a questionar e dispostos a ajudar a encontrar sentido no que acontece nessa tal realidade contraditória.

5) Como a literatura pode levar educadores e educandos a tomar consciência de seu potencial criativo e transformador?

BS: A arte é, por si só, revolucionária. A escrita é a maior expressão de arte já conhecida.Assim, cabe aos educadores desenvolver um trabalho sério e planejado para despertar, manter e fazer crescer o interesse pela leitura em seus alunos. Se isso acontecer de forma gradativa, sem cobranças, através da sinalização dos aspectos positivos, o processo de despertar da consciência acontece de forma natural e definitiva.
MB: LEITURA é porta e janela escancarada. LITERATURA é telescópio, é binóculo, é microscópio, é tudo o que pode haver de instrumento que ajuda a OLHAR. Esta pergunta me fez lembrar o livro Fahrenheit 451, que Ray Bradbury escreveu para que o universo terrível que ele imaginou nunca chegasse a se tornar realidade. E é verdade que ler esse livro mobilizou muita gente no sentido de ficar atento para que não acontecesse o que poderia acontecer... Esse é um lado do potencial transformador da literatura. Afinal, tudo o que hoje nos atormenta nas condições de vida na Terra foi assunto da literatura, antes de ser assunto da ciência moderna.
Outro lado é aquele que diz respeito à literatura que toca a alma e fica despertando idéias, perguntas, encantamentos... Numa comunidade-multidão, a literatura é capaz de nos mostrar quanto compartilhamos, o quanto somos parecidos, como indivíduos, como são as coisas fora dos limites da nossa ação direta e como são sem pé nem cabeça nossas diferenças. No livro A elegância do ouriço, a escritora francesa Muriel Barbery põe na boca – ou melhor, na ponta da caneta – de Paloma, uma menina de 12 anos, estas palavras, que ficaram dançando e provocando outras dentro do leitor que eu sou: “E se a literatura fosse uma televisão que a gente olhasse para ativar seus neurônios-espelhos e ter as emoções da ação a preço acessível? E se, pior ainda, a literatura fosse uma televisão que nos mostra tudo o que a gente perde?”
Eu não sei exatamento COMO a literatura faz tomar consciência do potencial criador e transformador, porque tudo depende de como cada pessoa interage com o que lê. Por isso, o melhor a fazer é facilitar as coisas para que muitos possam ler, gostem de ler, passem pela experiência de escrever para entender que tudo o que se lê é mensagem de alguém, tenham boa leitura à disposição.


Para ir além

O tema da sustentabilidade a cada dia se confirma como um dos pilares da educação do futuro. Mas até que ponto um desenvolvimento sustentável está nas mãos da educação? Desenvolvimento eu acho que é uma palavra que sobra, aqui. Neste exato momento, a humanidade precisa é de sustentabilidade, precisa ser capaz de se manter por bastante tempo. O desenvolvimento de que a mídia nos fala ainda é econômico, tem a ver com fronteiras cuja existência põe em risco a sustentabilidade. Pensando no planeta, só pode haver sustentabilidade se houver equilíbrio nas nossas relações entre humanos e com o planeta todo. Nenhum decreto, nenhuma lei pode garantir isso.  O desenvolvimento de que precisamos, agora, é o de uma cumplicidade das pessoas, das empresas, das instituições todas, pela promoção da vida. E eu só vejo um espaço de ação capaz de construir essa cumplicidade: a educação em casa, na escola, na rua, em toda parte, numa perspectiva de Ecopedagogia. Por isso, eu não diria que a sustentabilidade está nas mãos da educação, e sim que ela depende de uma educação voltada para isso. Se tivermos a ingenuidade de acreditar que uma educação voltada para o mercado pode levar à sustentabilidade, estamos fritos.
E o que a família, a escola e os educadores podem fazer para que as crianças aprendam a selecionar o que é realmente sustentável em suas vidas? Exemplo, exemplo, exemplo. Simplificação como prioridade no cotidiano. Vigílias de 24 horas por dia de cuidado intensivo com o outro, de olhar para o outro e para o mundo de um jeito limpo e verdadeiramente interessado, curioso, em busca de todos os recursos da diversidade cultural que consigamos reunir para nos ajudar a suportar redução de confortos e facilidades dispensáveis em nome da sustentabilidade da vida no planeta. Ética, igualdade, respeito. Diálogo. Enfim, o que importa não é tanto “o que fazer”, mas “como ser e como fazer”.
Maria Betânia Ferreira

FONTE:
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